continua

«Nenhuma vã glória te consome./ O que vês tu amas - mas não te fies/ naqueles
que te pedem «resignação e piedade.»/ Não enfraqueças o lado do teu coração/ por
amores doentes./ Acerta: divino & humano/ pelo silvo do teu arco.»


IMPRESSÕES

Amândio Sousa Dantas

Porfírio Pereira da Silva

«No ombro o orvalho»
de Amândio Sousa Dantas!...

Temos sempre alguma dificuldade quando “nos propomos” em falar da poesia de Amândio Sousa Dantas. Essa dificuldade advem-nos do facto de nos sentirmos pequeninos perante a possibilidade de nos aventurarmos em aguarelar qualquer recensão crítica à sua magnificente forma de discorrer a poesia. Para além disso, face ao incondicional “culto” que manifestamos pela sua poesia - e pela sua pessoa, sendo que o consideramos um dos nossos melhores poetas da contemporanidade altominhota - a suspeição aí inerente, levar-nos-ia, eventualmente, à irritabilidade de uns tantos “acanaveados” de inveja que, ao afirmarem-se poetas , mais não fazem do que “vomitarem” palavras ao acaso. Embora hoje estejamos a falar de Amândio Sousa Dantas, outros há que, felizmente e de igual modo, merecem o nosso profundo reconhecimento, enquanto pautados pelo gosto... Gostamos de uns tantos, e isso nos basta para o afirmarmos publicamente, sem rodeios e/ou subtergúgios!...
Mesmo conscientes do risco que corremos, não resistimos a uma pequena deambulação pelo trilho deste maravilhoso brado poético, espargindo, ao mesmo tempo, «no ombro o orvalho» . Aceitamos o desafio de Amândio Sousa Dantas, porque sabemo-lo ecologista - assim respiras pela superfície das coisas/ e tu és aquele que vai dentro do dia - / por ti conheces a sede das nascentes:/ sabes que o teu coração é que repousa/ junto às margens dos rios -, orgulhoso da nossa consistente ancestralidade - Em cada dia escuto o som da pedra/ (ora cinzel da alegria ora de melancolia); / não a pedra preciosa,/ mas a pedra que nasce/ pela água, vagarosa - e que, sem trilhar caminhos verdejantes, opta pelas escarpas, aquelas onde uns desesperam e outros desfalecem, seguindo os que se levantam. Não resistimos a essa força e a essa manifesta solidariedade, Há um perfume especial na poesia deste poeta - circunstancialmente- limiano, mas acima de tudo universalista: Vê pelo que breve funda - / ai as rosas, rosas por um dia./ Tudo é o teu círculo:/ teu rosto volta para as marés.